Fase 1: A Iluminação. Você lê em algum lugar que "Nostr é o futuro", "descentralizado", "resistente à censura". Uma lâmpada se acende. Eu também quero o futuro, você pensa. Erro número um.
Fase 2: A Descida na Toca do Coelho. "Baixe um cliente." Qual? Damus? Amethyst? Corvo? Seu navegador trava com as 15 abertas comparando funcionalidades cujo significado você ignora. Você escolhe o com o nome mais bonitinho. Ele pede para "gerar uma chave". Não uma senha, uma chave. Você ouve as palavras "npub" e "nsec" pela primeira vez. Parece que tem que pilotar um avião quando até ontem andava de bicicleta com rodinhas.
Fase 3: O Purgatório dos Relays. O cliente te olha vazio. Para funcionar, você deve "escolher alguns relays". O Google é seu confessor. A descoberta arrepiante: relays não são infinitos, podem morrer, podem virar pagos, e sua escolha determina o que você verá e quem te verá. É como se para usar o WhatsApp você primeiro tivesse que decidir quais centrais telefônicas no mundo são dignas de sua confiança. Seleciona três aleatoriamente de uma lista escrita em jargão técnico. Pressiona "Salvar". Nada explode. Já é um sucesso.
Fase 4: A Solidão do Pioneiro. Você está dentro. Seu perfil é uma string hexadecimal incompreensível (npub1...). Seu feed está vazio. Você precisa "encontrar pessoas para seguir". Mas como? Não há uma busca por nome. Você precisa saber o exato, loooongo endereço público (npub) da pessoa. Acha por milagre um site que lista os npubs de algumas personalidades famosas. Copia, cola. Segue 5 contas. Duas não postam há um ano. Uma só posta diagramas de circuitos elétricos. As outras duas fazem piadas sobre Satoshi que você não entende.
Fase 5: A Epifania (Amarga). Após duas horas, você percebe: você obteve acesso a uma praça potencialmente livre e global. Mas no momento, você apenas deslocou o problema. A censura central foi substituída pelo caos da autogestão total. Você não conquistou a liberdade. Você assinou um contrato de manutenção vitalícia para um lote de terreno digital que você mesmo tem que arar, irrigar e cercar, partindo do zero. A proporção ativos/usuários? É a proporção entre quem tem vontade de ser agricultor 24h por dia e quem, depois de provar a terra árida, volta ao supermercado conveniente das redes tradicionais. Por enquanto, aqui enxadando, restamos poucos.