lucianorocha

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lucianorocha
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Writer, investor and a huge Bitcoin fan. Author of book Do Zero ao Cem Mil com Bitcoin.
Abaixo estão as 10 maiores desvalorizações em um único dia na história do Bitcoin. O oitavo lugar ocorreu justamente no dia 5 deste mês, quando o BTC teve queda superior a 13% e chegou a perder o suporte de US$ 60.000 por poucos minutos. Apesar da entrada de investidores institucionais e dos ETFs, o Bitcoin continua seguindo seu ciclo de maneira tão exata quanto a rotação da Terra. Este que vos escreve passou por todas as quedas e pode te garantir: virão outras. Daqui a 10 anos este Top 10 será bem diferente do que é hoje. Mas assim como as quedas, os topos de preço do Bitcoin também vão se renovar e ficar cada vez maiores. É um ativo que mantém seus fundamentos intactos e se beneficia de uma certeza: os governos seguirão imprimindo moeda. Se a forte queda de 5 de fevereiro foi a sua primeira experiência com os “daily crashes” do Bitcoin, fique tranquilo. Outros dias assim virão. Mas o importante é manter o controle, não vender sua posição de forma desesperada e, principalmente, focar em aumentar seu stack. image
É muito, mas muito fácil ser católico (ou cristão em geral) em países como Brasil ou Espanha. Você pode ser xingado ou chamado de “ignorante”, mas não correrá nenhum risco de ser morto, fuzilado ou de ver sua família ser assassinada diante dos seus olhos. Apenas os cristãos que vivem em países onde a fé é perseguida (como Somália, Irã e Coreia do Norte) é que conhecem essa sensação. E por isso a fé deles é tão mais forte do que a de muitos ocidentais. Da mesma forma, é muito fácil falar que o Bitcoin não tem valor nenhum se a pessoa mora na Europa ou nos EUA, onde o sistema bancário funciona e a moeda é minimamente forte. Essas pessoas não precisam se preocupar em correr para comprar pão antes que o preço suba. Nem precisam correr o risco de deixar dinheiro embaixo do colchão por falta de acesso à serviços bancários. Somente pessoas que não têm acesso a bancos ou instrumentos de juros sabem o valor que tem uma moeda estável que não está sob o controle de um estado ou político. E é por isso que países como El Salvador, Uganda, África do Sul e Argentina viram a adoção do Bitcoin crescer de forma tão exponencial nos últimos anos. Só se reconhece o valor de algo quando não se tem — ou quando se perde. Por isso você não deve perder a chance de pelo menos conhecer o dinheiro mais revolucionário já criado. Se quiser fazer isso, me manda uma DM com suas dúvidas que posso te explicar tudo. Imagem: Bitcoiners Africa image
Ouro nas máximas, IBOV também, bolsas nos EUA perto do topo… e o Bitcoin caindo quase 50% nos últimos nove meses. Dá aquela sensação de timing ruim, não é? E imagina ver seu amigo alocado em VALE3 rindo da sua cara. Você tem vontade de vender Bitcoin, de “salvar o que dá” e alocar em “ativos mais seguros” ou com “menos volatilidade. E é assim que você vai ficando mais pobre. Este senhor da foto, por exemplo, comprou milhões em ações da Coca-Cola, The Washington Post, tudo quando ninguém apostava que esses negócios seriam lucrativos. Foi assim que ele gerou retornos superiores a 20% ao ano durante quase 70 anos, de forma constante, e acumulou milhões de dólares. Você não precisa ter tudo em Bitcoin, mas saiba: a hora da queda forte é justamente a hora na qual grandes fortunas são criadas. E isso requer tempo, paciência e, principalmente, humildade para ignorar o ruído externo. image
É difícil encarar cada bear market do #bitcoin sem querer vender. Observar quedas de 20%, 30% no portfólio é algo que abala a maioria dos investidores. Ao contrário de imóveis ou carros, o preço do Bitcoin aparece em todo lugar: no gráfico da exchange, nas manchetes de jornais, no CMC, em tudo. A pessoa consegue ver quando ele dispara 100%, mas também observa as quedas de 30%. Ela não vê o mesmo com o preço da sua casa ou do seu imóvel de aluguel — e essa percepção faz toda a diferença. Quem comprou no topo de 2017 precisou esperar três anos apenas para ficar no zero a zero. E três anos nem é longo prazo, mas para a geração atual, que espera conseguir muito em pouco tempo (de preferência sem ter que fazer nada), essa espera é uma eternidade. Não conseguimos sequer ler um livro com mais de 200 páginas (“é chato, não aguento mais!”), imagine esperar três anos tomando prejuízo e vendo seu gestor comemorar “recorde histórico” do IBOV (que eles convenientemente esquecem de mencionar que, em dólar, não significa nada). Se você não tem paciência para aguentar isso, lamento: você continuará pobre. Vai preferir os retornos parcos do mercado de ações, mesmo que eles não cubram sequer a inflação (ou o aumento da base monetária). Preferirá receber seus dividendos de centavos, enquanto os governos aprovam cada vez mais taxação em cima desse tipo de rendimento. Não há segredo: para superar um bear market é preciso ter paciência. Se você tiver condição, acumule satoshis e aproveite o preço baixo. Se você está sem trabalho (como este que vos escreve), então não venda seus BTC. Não se desespere com a queda de preço no curto prazo. E lembre-se que qualquer outro comportamento será como encher um balde furado: você até pode vê-lo cheio, mas empobrecerá com os vazamentos. image
As Bitcoin Treasury Companies (BTCos) brasileiras surgiram copiando uma estratégia vencedora — nos EUA. Mas que na realidade Br, tal estratégia enfrenta problemas de magnitude quase insolúvel. Por exemplo, as condições de custo de capital para adquirir Bitcoin, que são bem mais suaves nos EUA do que no turbulento ambiente de juros no Brasil. O Edilson Osorio Junior, fundador da OriginalMy e uma das maiores referências euro-brasileiras quando o assunto é Bitcoin, fez um excelente texto, sobre esses e outros riscos, e eu recomendo a leitura:
Na Alemanha da república de Weimar, quando a hiperinflação pós-I Guerra Mundial chegou ao pico de absurdos 29.500% em dezembro de 1923, havia relatos de pais que vendiam a “pureza” de suas filhas em troca de moeda forte. Sim, você leu certo. Como o Marco alemão não valia literalmente nada, e a classe média teve sua poupança dizimada, a única coisa que muitas famílias ainda tinham de valor era a “honra” das suas filhas (estamos falando dos anos 1920, época em que ter a honra intacta ainda tinha valor). E muitas famílias optavam por negociar a honra das filhas em troca de moeda forte. Qualquer estrangeiro que chegasse na Alemanha com libra esterlina, dólar, Franco (francês ou suíço) e até com rublo soviético podia ser abordado por um pai de família desesperado, que o chamava para conferir a beleza e a “pureza” de uma de suas filhas. O dinheiro era utilizado não como luxo, mas como forma de garantir que a família (incluindo a filha já “desonrada”) não passaria fome. Curiosamente, nos tempos de hoje vemos essa manifestação de “venda da honra” acontecer novamente, mas através da internet. Em vez dos pais, são as próprias mulheres que abrem mão de sua honra em troca de ganharem dinheiro ao se tornar a “top 0,01%” de algum aplicativo de “conteúdo adulto”. Os motivos, contudo, seguem os mesmos: salários baixos no mercado tradicional, uma moeda que perde valor a cada dia e a tentação de ganhar salários maiores em moeda forte e poder sair de uma vida ruim financeiramente. Em alguns casos, essas “produtoras de conteúdo” emulam as jovens da república de Weimar e usam o dinheiro para dar uma vida melhor aos seus pais, comprando-lhes uma casa ou sustentando suas vidas. Muitos pais até apoiam esses trabalhos — e quem não apoiaria, dado que foi isso que melhorou o padrão de vida de toda a família? Como diz um texto que li há anos, “quando a moeda morre, a moral também morre.” (Disclaimer: isso não é uma crítica a qualquer profissional, mas sim uma análise comparativa entre momentos separados por 100 anos). Imagem: Gemini. image